Aquecimento e Desumidificação
Poder mergulhar numa água com uma temperatura agradável
e convidativa é o objectivo de todos que dispõem de uma piscina,
seja ela interior ou exterior. Daí que o aquecimento da água seja
cada vez mais um tema que merece a atenção de todos. Na edição
anterior, demos-lhe a conhecer dois sistemas de aquecimento: a bomba de calor
e a energia solar. Prosseguimos com os permutadores de calor, as caldeiras e
a resistência eléctrica, sem esquecer que em ambientes fechados
há que dar particular destaque à desumidificação
do espaço, sob pena de não obter o conforto desejado ou deteriorar
o local.
Caldeiras
A caldeira especial para piscinas consiste numa técnica oriunda dos EUA que conheceu um grande desenvolvimento há uns quinze anos atrás. Depois de uma queda com a crise da energia, ganha novo impulso nos dias de hoje. A extensão das redes de gás natural tem influenciado o desenvolvimento deste sistema em Portugal.
Se dispuser de uma escolha extensa de matérias energéticas (fuel, gás propano ou natural) vai poder, graças à caldeira, fazer subidas de temperatura espectaculares. De entre as energias possíveis, o gás natural (ideal, económico) e o gás propano (indicado para as piscinas isoladas) são bastante utilizados. Com efeito, a elevada potência disponível para um investimento razoável é o ponto mais importante da caldeira a gás.
De resto, as caldeiras estão bem adaptadas para utilizações
pontuais. Especialmente concebidas para aquecer a água da piscina, têm
circuitos anti-corrosão e produzem água quente a 70°/90°C
que vai aquecer a da piscina (circuito secundário) por transferência
de calor no permutador multitubular. Este permutador possui frequentemente um
feixe em tubos de titânio, o que permite o tratamento de todas as águas
(subentenda-se também a água do mar).
Permutadores de Calor
Com um investimento relativamente baixo, o permutador de calor é um dos métodos que permite o aquecimento mais rápido da piscina. Conhecidos há bastante tempo, os permutadores provaram fiabilidade e simplicidade na instalação e exploração, daí que sejam utilizados em diversas situações, tais como para aproveitamento do sistema de aquecimento para dar algumas calorias á água da piscina, ou mesmo para a aquecer na totalidade.
Como para o conjunto de técnicas de aquecimento utilizadas em piscinas o custo de energia é o regulador do desenvolvimento de um sistema em relação a outro, a tendência para a estabilidade do preço das energias (fuel, gás), contribuiu para a sua evolução nos últimos dez anos.
Regra geral, os permutadores de calor encaixam na caldeira existente da casa, seja qual for a sua energia. As duas qualidades principais deste tipo de equipamento são o facto de pressupor um investimento modesto e disponibilizar uma potência elevada. Só a distância da caldeira / casa e o custo, às vezes elevado, da ligação da filtração à caldeira, é que levam muitas pessoas a repensar a sua instalação. Daí a importância de um estudo antecipado da implantação do grupo de filtração, bem como da piscina, em função da possibilidade de utilizar ou não, um permutador de calor em caldeira existente.
Pode pensar em utilizar também as calorias fornecidas pela sua própria caldeira se a sua potência calorífica o permitir, tendo sempre em conta as condições climatéricas da sua região. A solução passa pela colocação de um equipamento simples, verdadeiro permutador de calorias. No permutador, dois circuitos hidráulicos permitem à água circular em contra-corrente: o circuito primário (água da caldeira) cede, por diferença de potencial térmico, a sua energia calorífica ao fluido secundário (água da piscina) através de superfícies de troca que permitem essa transferência por condução térmica.
As superfícies de troca utilizadas pelos fabricantes são
inoxidáveis (em inox, cuproníquel ou titano) e compostas por placas
compactas, união multitubular (robusta) ou serpentina (económica).
Resistência Eléctrica
As resistências eléctricas são pouco utilizadas em Portugal com a finalidade de aquecer piscinas, pois o preço da electricidade torna a sua utilização praticamente proibida. No caso de uma piscina pequena ou de um SPA, pode ser uma boa opção, uma vez que o seu custo é muito mais baixo que o dos outros equipamentos para aquecimento da água..
O rendimento de um esquentador é excelente, mesmo se a energia eléctrica continua cara, pois trata-se de uma energia limpa. Uma resistência eléctrica é o elemento principal de um esquentador. Ele liga-se facilmente ao nível da canalização do refluxo da filtração. Graças ao efeito joule, a energia eléctrica dissipada no condutor, resistindo frequentemente ao titano, vai ceder as suas calorias à blindagem do termoregulador que é geralmente em aço inoxidável, aço revestido de cerâmica ou em PVC de calor.
A ligação eléctrica faz-se sobre o terminal monofásico 220 V ou trifásico 380 V. Um termostato situado sobre o esquentador permite articular a temperatura da água.
As resistências da marca PSA, por exemplo, são fornecidas em caixas, já montadas, com termostato de segurança, regulador digital temporizado, interruptor de débito, contactor de potência, interruptor On / Off e caixa de bornes de ligação
A simplicidade desse sistema, o seu investimento modesto e a sua facilidade de utilização faz dele, hoje em dia, um equipamento muito utilizado em piscinas familiares. O rendimento de um esquentador eléctrico é excelente. Contudo, para que uma instalação eléctrica duma piscina familiar seja razoável em relação ao custo, seria conveniente utilizar da melhor forma as tarifas EDP, tendo em conta o volume de água a aquecer.
O princípio de funcionamento consiste num aquecedor eléctrico
que é provido de um corpo de poliamida injectada (no qual circula a água
da piscina) e de resistências eléctricas (em aço inox, aço
revestido de cerâmica ou ainda em PVC) que aquecem a água ao passar
por estas. O funcionamento do aquecedor é assegurado por um termostato
de regulação e é ligado com o funcionamento da filtração.
As regulações precisas e a segurança são um ponto
de fiabilidade dos esquentadores eléctricos.
Desumidificadores
A água de uma piscina, para ser agradável, necessita de ser aquecida. No entanto, quando a piscina está coberta, torna-se também necessário e indispensável para o bem-estar dos banhistas e perenidade das instalações o tratamento do ar através da desumidificação.
Abrigado, um plano de água aquecido gera em permanência
vapor de água (15 g por kg de ar, contra 6 g num outro compartimento
da casa) e este fenómeno é fortemente acentuado aquando dos banhos.
Sabendo que uma atmosfera húmida permite aumentar a temperatura do ar,
poderia ser interessante, sob o plano económico, desumidificar o menos
possível. No entanto, uma taxa muito grande de humidade pode incomodar
os banhistas no plano respiratório e ser prejudicial às instalações.
Porquê desumidificar?
O ideal para que se equilibrem todos os parâmetros ligados ao conforto dos banhistas e à boa conservação do prédio seria manter a água à temperatura de 27°C, a temperatura ambiente do ar a 28°C e a taxa de higrometria entre 60 e 65%. Cobrir a piscina por meio de uma cobertura isotérmica ou de um estore flutuante é uma primeira medida para bloquear esta evaporação e dominar o clima específico. Em qualquer piscina interior aquecida, se quisermos aumentar o conforto, e diminuir muito os custos energéticos (cerca de 50% no aquecimento e cerca de 80% na desumidificação), deve ser usada uma cobertura sobre a água.
Para além dos períodos em que a água está coberta, a solução quase obrigatória para não nos banharmos numa humidade tropical é o de tratar o ar para o desumidificar.
Deste modo, para além de os banhistas sentirem mais conforto quando saem da piscina, também se reduz a evaporação e, consequentemente, as condensações no interior da nave da piscina. Outro ponto a ter em consideração é o controle da humidade relativa, essencial para um bem-estar na zona da piscina.
Os desumidificadores são aparelhos que permitem manter no local das piscinas, uma humidade relativa, entre os 60 e os 70%. Os da marca PSA são equipados com um circuito termodinâmico (bomba de calor ar/água) que transforma o ar quente e húmido, em ar mais quente, e seco. Esta situação, em que o ar é todo reciclado, permite uma exploração mais económica do que com qualquer outra situação.
Os desumidificadores podem ser de ambiente,
embutidos nas paredes, ou de condutas tendo que existir,
neste último caso, uma central de desumidificação na casa
das máquinas.